A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) anunciou a implantação do método Wolbachia em Valparaíso de Goiás e Luziânia, municípios do Entorno do Distrito Federal. A estratégia, que já apresentou bons resultados em outras regiões do Brasil, consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, capaz de impedir a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
De acordo com a Wolbito do Brasil, empresa responsável pela iniciativa, os chamados “Wolbitos” são mosquitos comuns infectados com a bactéria, que impede o desenvolvimento dos vírus dentro do inseto. “Quando os mosquitos com Wolbachia se reproduzem com os mosquitos locais, transmitem a bactéria para seus filhotes. Com o tempo, a maioria dos mosquitos da região passa a ter Wolbachia, reduzindo significativamente a transmissão das doenças”, explica Luciano Moreira, CEO da empresa.
A expectativa, conforme a assessoria da Prefeitura de Luziânia, é que a soltura dos Wolbitos ocorra na primeira quinzena de agosto. Antes disso, a Wolbito promove campanhas informativas em escolas e unidades de saúde para conscientizar a população.
Resultados já comprovados
O método, autorizado pela Anvisa desde 2022, já foi aplicado em cidades como Niterói (RJ), onde os casos de dengue caíram 70%, chikungunya 60% e zika 40%. Além disso, a bactéria Wolbachia é natural, presente em 60% dos insetos do planeta, e o processo não envolve modificações genéticas.
Impacto esperado em Goiás
Em 2025, Goiás já registrou 123.218 casos de dengue, com 72.331 confirmações e 53 mortes. A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, destaca que os impactos do método devem ser percebidos a médio e longo prazo. “Esperamos que em até dois anos possamos avaliar resultados mais completos, estendendo a estratégia para outras cidades conforme a produção da biofábrica instalada no Paraná e com entreposto em Brasília”, afirmou.
A escolha de Luziânia e Valparaíso foi feita com base em critérios epidemiológicos e pela proximidade logística com o polo de distribuição dos mosquitos. “Priorizamos municípios com alta incidência e mortalidade pela dengue, aliados à viabilidade operacional”, explicou Flúvia.
Como funciona o método
O processo de implantação é dividido em seis etapas:
Planejamento da operação
Criação dos mosquitos com Wolbachia
Campanhas de conscientização
Liberação dos mosquitos semanalmente
Monitoramento da presença da bactéria na população de mosquitos
Análise epidemiológica pós-liberação
O Ministério da Saúde ressalta que o método é seguro, autossustentável e sem riscos para a população e o meio ambiente. A SES-GO reforça que a medida se soma a outras estratégias de controle das arboviroses, como o combate aos criadouros e campanhas de prevenção.
Fonte: Governo de Goiás